A ascensão serena: Estêvão surge como a raridade que faltava ao futebol brasileiro
Há jogadores que sobem o primeiro degrau da carreira fazendo barulho. Estêvão sobe iluminando. Aos 18 anos, em Londres, ele atravessa o momento que costuma separar a promessa do protagonista. Os números recentes na Champions League, com gols nos três primeiros jogos como titular, são um sinal de que seu futebol começa a se manifestar com naturalidade em ambientes que costumam engolir jovens. O gol contra o Barcelona, decidido no instante em que o Chelsea precisava de clareza, reforçou que sua maturidade técnica se impõe em momentos decisivos. E ele faz isso como consequência do que é, não pela pressão de buscar a qualquer custo atender as expectativas.
A trajetória até aqui não se apoia em lampejo. Desde o Colégio Batista Brasil e o título do Paulista Sub-15 pelo Palmeiras, Estêvão sempre carregou um aspecto raro para um talento precoce: a combinação de disciplina, atenção e senso de responsabilidade. Quem o acompanhou na base lembra mais do comportamento do que das jogadas. Não por falta de habilidade, mas pela forma como tratava treino, rotina e aprendizado com uma serenidade pouco comum. Foi assim no Palmeiras, e voltou a ser assim em Londres, no Chelsea.

