Proibido de votar nas sessões da Câmara, Eduardo Bolsonaro votou em sessão no Congresso Nacional

Proibido de votar nas sessões da Câmara, Eduardo Bolsonaro votou em sessão no Congresso Nacional


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Proibido de votar nas sessões da Câmara, Eduardo Bolsonaro votou em sessão no Congresso Nacional

O sistema do Congresso Nacional permitiu que Eduardo Bolsonaro votasse contra vetos do presidente Lula ao novo plano de refinanciamento de dívidas dos estados e às novas regras de licenciamento ambiental. Após reportagem do g1, presidente do Congresso David Alcolumbre (União-AP) anulou o voto do deputado.

Por Gustavo PetróNayara FelizardoKevin LimaElisa Clavery

27/11/2025 16h36  Atualizado há 4 horas

Morando nos Estados Unidos e impedido de registrar presença e voto na Câmara dos DeputadosEduardo Bolsonaro (PL-SP) conseguiu registrar nesta quinta-feira (27) votos em uma sessão conjunta do Congresso Nacional.

Ele está impedido de votar desde agosto, quando reassumiu o mandato após se afastar por uma licença. A Casa bloqueou o acesso dele ao sistema interno, chamado de “Infoleg”, por entender que o exercício da atividade parlamentar não pode ser feita do exterior.

O deputado chegou a pedir que seus votos fossem registrados e a pedir à área técnica da Câmara que o sistema fosse reabilitado, mas nenhuma das demandas foi atendida.

O sistema de votação do Congresso Nacional, porém, é diferente. Por isso, Eduardo votou na sessão que derrubou vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a novo licenciamento ambiental e no projeto de lei que cria regras mais flexíveis para o pagamento das dívidas bilionárias dos estados com o governo federal, o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

Após a reportagem do g1, o presidente do Congresso Nacional David Alcolumbre (União-AP) anunciou em plenário a anulação do voto. “Essa presidência declara a nulidade do registro de votação e determina a retificação de seu resultado”.

Voto à distância pelo sistema e-Cédula

A votação de Eduardo Bolsonaro ocorreu por um sistema próprio do Congresso, chamado “e-Cédula”. Por ele, deputados e senadores podem votar ao mesmo tempo, e em uma série de vetos de uma única vez.

Deputado federal Eduardo Bolsonaro na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle em 28 de novembro de 2023 — Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Nesta quinta, como é praxe, todos os deputados do PL receberam um gabarito da maneira com a qual eles deveriam votar durante a etapa da cédula. Cada um, com um login e senha, entrou no “e-Cédula” e enviou os seus votos, conforme o acordo.

“A votação no Congresso é feita através de um site. Com a senha dele, ele tem acesso. Ele entra, registra a senha, faz ‘upload’ da cédula e, aí, entra como votação”, disse um assessor.

Técnicos das duas Casas afirmaram que, quando há registro de voto por cédula, a presença também é confirmada. Já no caso de Eduardo, os sistemas da Câmara e do Senado não registraram a sua presença.

Deputados proibidos de votarem do exterior

Nesta terça-feira (25), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), acolheu parecer da Secretaria-Geral da Mesa que proíbe parlamentares de registrarem presença e votarem em sessões deliberativas enquanto estiverem fora do território nacional, salvo em caso de missão oficial autorizada pela Casa.

A decisão foi tomada após o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe, deixar o Brasil em setembro – mês em que a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o núcleo crucial da trama golpista – e participar, de forma remota, da votação do Projeto Antifacção.

Das 67 sessões ocorridas em 2025, Eduardo Bolsonaro faltou a 52 — o que equivalente a mais de 77,6%.

Eduardo corre o risco de perder o mandato de forma administrativa, em razão do excesso de ausências.

A regra está prevista na Constituição e tem um rito próprio definido internamente pela Casa. Segundo a Carta Magna, um parlamentar perderá o mandato se deixar de ir a um terço — ou mais — das sessões de votações ao longo do ano.

Pelas regras da Câmara, a análise das faltas deve ocorrer, no entanto, apenas em 2026.

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